sábado, 19 de abril de 2014

A RELIGIÃO (ponto de vista sociológico)

Emile Durkheim diria que a religião, assim como a família, deixaram de ser o principal meio para realizar o vínculo social, a "solidariedade", dando lugar ao mercado, ou seja, aos vínculos criados pelo esquema capitalista: trabalho, compra e venda, interesse, procura e oferta...


A religião cumpre um papel social importante quando nos faz olhar as pessoas com amor e respeito, independentemente de suas ações ou condições sociais, mobilizando-nos a colaborar no resgate da dignidade humana em todos os seus aspectos. Do ponto de vista teológico, além dos aspectos supracitados, a religião tem o papel fundamental de realizar a conexão consciente entre nós e a divindade, aproximando-nos mais do verdadeiro sentido da vida que é o próprio Deus. Mas para a sociedade a religião mal administrada pode oferecer o risco da alienação e dominação moral.

Moses Hess, num ensaio publicado na Suíça em 1843, escreveu:

"A religião pode fazer suportável [...] a infeliz consciência de servidão... de igual forma o ópio é de boa ajuda em angustiantes doenças."

A comparação da religião com o ópio pode ser encontrada em escritos de Immanuel Kant, Herder, Ludwig Feuerbach, Bruno Bauer, Moses Hess e Heinrich Heine. Este último, em 1840, no seu ensaio sobre Ludwig Börne escreveu:

"Bendita seja uma religião, que derrama no amargo cálice da humanidade sofredora algumas doces e soporíferas gotas de ópio espiritual, algumas gotas de amor, fé e esperança."

KARL MARX é o pensador mais lembrado nesse assunto por fazer uma citação da Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (1844), na qual grosseiramente resume:

"A religião é o ópio do povo"

Ora, seja ou não ópio (droga alucinante e/ou alienante), a religião encaminha o homem a pensar numa motivação superior, da qual grande parte dos homens dependem ou sente necessidade como atesta a história. Essa motivação pode virar instrumento de manipulação e exploração por parte de alguns líderes que primam pelo poder e pelo dinheiro, e abusam da ignorância e carência das massas. Os rituais deveriam apenas ter o papel de lembrar-nos de nossas disposições interiores, caso contrário são vazios e promotores de hipocrisia.


Acho que é fundamental buscarmos cada um a própria experiência religiosa e sempre questionarmos a respeito da seriedade e da motivação de algumas atitudes e ditames institucionais. Se Deus existe, com certeza ajudará o ser humano que busca com sinceridade a encontrar o caminho certo. Não há religião séria que não estimule o fiel a buscar as razões de sua fé, pois a razão é o eixo diferencial do ser humano. Essa é uma discussão a parte: o que importa mais ao ser humano - razão ou emoção? Ambas tornam o ser humano único a respeito de tudo o que conhecemos, muito embora há conflitos entre uma e outra... mas essa discussão fica pra próxima.


Por: prof. Osvaldo Lins Viana