quarta-feira, 21 de maio de 2014

FUNK - TRANSDISCIPLINARIDADE: Entrevista à Valesca. Uma curiosidade Filosófica, Sociológica, Literária e da Língua Portuguesa.


Gente, isso sim dá pra usar em uma prova:

Digitação feita pelo professor Osvaldo Lins Viana a partir da Charge do Maurício Ricardo, disponível na internet: http://www.youtube.com/watch?v=qlCzttLxewA
ATENÇÃO: ESTA ENTREVISTA É FICTÍCIA.



[ENTREVISTADOR] Valesca o que você achou desta polêmica em torno do professor que te chamou de pensadora?


[Valesca] Preconceito de quem ao contrário dele não entendeu a minha música.



[ENTREVISTADOR] Como assim?


[Valesca] É bem óbvio que a minha música faz uma reflexão em linguagem popular sobre este momento histórico em que estamos vivenciando a reconstrução da autoimagem das classes que formam a base da pirâmide social.
Com o crescente acesso desta camada da sociedade aos bens de consumo e lazer aumenta em seu seio o sentimento de orgulho e de reconhecimento da própria identidade, não mais como uma casta inferior, mas como cidadãos conscientes das desigualdades, orgulhosos de suas conquistas e merecedores de reconhecimento quando atingem uma acensão social expressiva...



[ENTREVISTADOR] Ma... mas sobre o funk?


[Valesca] O funk enquanto fenômeno urbano marcadamente associado às comunidades de baixa renda vem expressar o inconsciente coletivo através do subgênero conhecido como funk ostentação, que tece loso (corrijam-me se estiver errado) aos bens de consumo de forma provocativa, é claro, mas também aumentando a autoestima dos jovens de periferia e mandando um recado claro às classes mais abastadas ao dizer que as pessoas de origem humilde, sem educação formal, podem obter sucesso financeiro ainda maior do que aquelas que se consideram a elite econômica e intelectual do país. É instigante!
Minha música flerta com o funk ostentação ao falar do acesso ao camarote que é um símbolo da divisão social, mas vai muito além, propõe também um embate, um enfrentamento daquelas pessoas que em vez de buscar sua vitória pessoal, acomodam-se numa posição inferior de inveja e de tentativa de apropriação daquelas que podem ser consideradas vitórias pessoais alheias, inclusive no âmbito das relações afetivas. 



[ENTREVISTADOR] ...Eu não sei se...


[Valesca] Mas a letra transcende à mera discussão de classes, inclui também uma reflexão sobre a religiosidade ao dizer que "faço de Deus o meu escudo", e no refrão explicita a mensagem final de que o mais importante é estar bem consigo mesmo uma vez que o gesto de beijar o próprio ombro é obviamente um sinal de autoaprovação, amor próprio e porque não de autoadmiração.
quem quem te vê não imagina que...
Uma mulher se sente avontade com o próprio corpo e canta funk pode ter um discurso articulado. É puro machismo! Justamente por isso canto uma outra música que prega total liberdade sexual da mulher.



[ENTREVISTADOR] Que música?


[Valesca] “A p0rr@ da bucet@ é minha” (…) Que foi? O público-alvo não são os imortais da academia de letras!


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